Poesias, Fotografias, Ilustrações por: Vanessa Angelo

Pétalas de Poesia
é um livro que escrevi para crianças,
em forma de poesia.
As ilustrações e os poemas nasceram com a chegada do meu filho Miguel, em Agosto de 2003.
Este é um, dos muitos livros, que espero ainda construir e dedicar ao meu garotinho
— Miguel — que tem uma carinha sapeca e jeitinho de poesia. Poesia que apenas crianças cercadas de amor e alegria podem ter.
O Quintal da Nossa Casa

No quintal da nossa casa
Existe um grande varal
Minha mãe pendura imensos lençóis brancos
Que parecem telas de cinema
Onde ficam escondidas muitas histórias.

No quintal da nossa casa
Existe muito verde
Terra amarela, margaridas branquinhas
Nesse manto feito para toda gente
Já pisaram diferentes pés.

No quintal da nossa casa
Tem muita alegria escondida
Atrás das árvores frondosas
Tem alguns joelhos ralados
Onde a vida se faz poesia.

Avezinha

Voa avezinha
Voa baixinho
Carregue em seu peito
Todos os meus caminhos

Suas asas são tranqüilas
Seu olhar tem precisão
Sua vontade é o menino
Que levas no teu coração

Voa avezinha
Guarde todos os meus segredos
Não conte pra ninguém
Sobre as coisas que me metem medo

Seu calor traz alegria
Sua chegada é festejada
E sempre anuncia
Muitos motivos pra gargalhadas

Voa avezinha
Leva contido minha saudade
Trás com você os abraços
E volte sempre pra nossa cidade.

O Balão

No céu azul
Avistei balões
De todas as cores
De todos os tamanhos.
Estavam começando
Longa viagem
Passeando pelo céu
De diferentes lugares.

Os balões
Levavam mensagens:
Cartinhas de amor
Cartinhas de saudade.
Ah se eu pudesse
Pegar um balão
E guardar dentro dele
O meu coração.

Jardim de Margaridas

Visitei um jardim de margaridas
Onde cada pequena pétala
Contava uma pequena história:
Uma história triste
Uma história romântica
Uma história infantil.

Deitei sobre o jardim de margaridas
Fechei os olhos
Tapei os ouvidos
Cerrei os lábios
Esqueci do mundo
Pra só assim poder sonhar quietinho.

Corri pelo jardim das margaridas
Senti o vento
Senti o sol
Perdi as horas, perdi o tempo
Fiquei com o perfume e a alegria de todo esse carnaval.

Borboleta

Borboleta
Já foi minhoca
Que morava
numa casa torta.

Borboleta
Já foi bichinho
Que viveu da vida
Escondido.

Borboleta
É de certo um projeto
Que trás beleza
Para esse mundo incerto.

Estrela da Manhã

A Estrela da Manhã
Beija suavemente o mar
Vai mergulhando devagarzinho
Até a noite chegar.

A Estrela da Manhã
Aquece um dia frio
Deixa moreno o corpo das crianças
Ilumina o quarto vazio.

A Estrela da Manhã
É certamente a mais bela
É a que trás vida a Terra
E faz nossa energia funcionar.

A Lua e o Sol

A Lua chega com a noite
E dizem que ela sente saudades do Sol
Parece que foi um amor antigo
Daqueles que a gente encontra nos livros.

A Lua e o Sol
Não podem brincar juntos
Ela é da noite, ele é do dia
Mas os dois inspiram muita poesia.

A história da Lua e do Sol
Guardam bons momentos
Mesmo distante num segundo do dia
Os dois dão as mãos e compartilham fantasias.


Sonho Recorrente

Ranger da madeira debaixo de meus pé
Um largo parapeito onde descanso meus braços
Sol dourando minha pele pálida
Distante James Taylor cantando no meu CD.

Cheiro verde depois da chuva
Montanhas abraçando meu pequeno jardim
Gotas de orvalho cobrindo o chapéu de palha esquecido
Adiante meu filho derramando o leite em seus pés.

Dia iluminado
Manto de estrelas cobrindo a noite
Quadros inacabados num ateliê de sonhos
Na frente as tintas reclamam minhas mãos.

Manhãs que passam deixando um rastro de prazer
Tardes que chegam para fazer o dia comprido
Noites que embalam paixões e suspiros
Atrás um convite soprando no pé do meu ouvido.

Olhares quentes e intensos
Bocas macias e aconchegantes
Mãos e dedos perfeitos passeando
Próximo seu corpo deitado em minha cama, chamando por mim.

Ternura Que Cabe no Mundo

Fecho meus olhos por um instante
Tenho cinco anos
Ouço uma doce voz me chamando
É hora do jantar
Cresci mais um pouquinho
E agora posso sentir
Você sentada ao meu lado
Seu calor, sua ternura...
Seu ombro amigo
Mais alguns anos se passaram
Já sou mulher
Mas nada mudou
Ainda posso ouvir
A mesma doce voz
Ainda posso sentir
O mesmo calor, a mesma ternura...
E aquele ombro amigo
Meu porto seguro
Ainda está lá
Esperando por mim
Todas as vezes que eu precisar
E o seu nome
Que carrega numa simples palavra
A ternura que cabe no mundo
Eu posso chamar
Quantas vezes eu precisar
Quantas vezes eu quiser...
Mãe!

Quero uma casa na praia
Onde ao dar o primeiro passo
Na minha porta de entrada
Possa sentir os grãos de areia debaixo de meus pés.

Quero uma casa simples
Muito aconchegante
Talvez uma varanda
Com uma enorme poltrona e um xale esquecido sobre ela .

Quero acordar com as ondas quebrando ao meu lado
Ouvir Billie Holliday e Tom Jobim no meu CD
E no fim da tarde
fazer meu filho adormecer em meu colo.

Na mesma varanda
Onde está aquele xale esquecido
Quero escrever os poemas mais lindos
Pintar quadros de memórias inesquecíveis.

Quero amar e ser amada na mesma medida
Quero voltar para o mesmo lugar
Todas as manhãs
Todas as tardes, todas as noites...

Meu Baú (versão)

Entre esmaltes e cicatrizes
Meu baú tem mais azul
Tem fotos de momentos felizes
Emoções de norte a sul

Tem seu rosto em minhas mãos
Sua vida em dó maior
Retalhos do coração
Tristezas num tom menor

Minha caixa dentro do armário
Guarda versos e poemas
Qual um antigo relicário
Colecionando canções pequenas

Os filhotes de fantasia
Transformam tudo em alegria
Suavizando a dor do meu mundo
Meu baú não tem tampa nem fundo.


Now I can see

How can you visit my dreams?
I can't understand
I think and I can't to see

I remember of our nights
Of our storms
I want and I can have

The first time in my thoughts
And I begin to understand
Lost inside my tears

The first time that summer rain
Invated my misfortune
And I begin to see

That sweet and irresitible madness
Answer the call of your voice
Now I can understand

These indescribable and secrets thoughts
These secrets uncofesseble
Now finaly I can see!


Pai (Agosto/2000)

Chamei seu nome muitas vezes
Mas hoje você não estava lá
Lá naquele lugar
Onde eu sempre podia te ver
Em meio as páginas de jornais amarrotadas
Entre ruídos do futebol na TV
Corri até seu quarto
Mas não havia nada lá
Além de suaves sombras
Do meu próprio pensamento
Estes desenhos puros e indefinidos
Quase podiam trazê-lo de volta
Entregar num pacote de presente
As tardes de Domingo
Seus passos no pequeno corredor
Daquele velho apartamento
O som da sua voz...
Chamei seu nome outras tantas vezes
O procurei incansavelmente
Por toda parte
No escuro das noites
No sol das manhãs
Atrás de horizontes
Houve uma única vez
Que acreditei tê-lo encontrado
Aconteceu entre o sono e o despertar
Apenas engano... ilusão
Você não estava neste lugar
Muitos dias
Muitas noites
Dissiparam-se diante dos meus olhos
Mas foi numa tarde azul
Sossegada
Depois de uma longa tempestade
Depois que inúmeros vendavais
Desmancharam-se
Que eu encontrei você
Povoando a minha memória
Hospedado no meu coração
E foi neste lugar
Que novamente pude chamar o seu nome
Pai
E muitas vezes encontrá-lo.